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Nome:
Camilla Pouza Salgado
Idade:
91
Atualmente: de partida para nunca mais ficar br> Signo: àquele que me significa
Qualidade: em falta (e vice)
Defeito: de sobra (e versa)
Frase: "...se nada faz sentido há muito o que fazer"
E-mail/msn:
camilla_ps@hotmail.com


Se (Rudyard Kipling)

Se puderes guardar o sangue-frio diante
de quem fora de si te acusar e, no instante
em que duvidem de teu ânimo e firmeza,
tu puderes ter fé na própria fortaleza,
sem desprezar contudo a desconfiança alheia...
sonhar, sem permitir que o sonho te domine,
pensar, sem que em pensar tua ambição se confine,
e esperar sempre e sempre, infatigavelmente...
Se com o mesmo sereno olhar indiferente
puderes encarar a Derrota e a Vitória,
como embustes que são da fortuna ilusória,
e estóico suportar que intrigas e mentiras
deturpem a palavra honesta que profiras...
Se puderes, ao ver em pedaços destruída
pela sorte maldosa, a obra de tua vida,
tomar de novo, a ferramenta desgastada
e sem queixumes vãos, recomeçar do nada...
Se tendo loucamente arriscado e perdido
tudo quanto era teu, num só lance atrevido,
se puderes voltar à faina ingrata e dura,
sem aludir jamais à sinistra aventura...
Se tu puderes coração, músculos, nervos
reduzir da vontade à condição de servos,
que, embora exaustos, lhe obedeçam ao comando...
Se andando a par dos reis e com os grandes lidando,
puderes conservar a naturalidade,
e no meio da turba e personalidade,
impávido afrontar adulações, engodos,
opressões, merecer a confiança de todos,
sem que possa contar, todavia, contigo
incondicionalmente o teu melhor amigo...
se de cada minuto os sessenta segundos
tu puderes tornar com teu suor fecundos...
a Terra será tua, e os bens que se não somem
e, o que é melhor, meu filho, então serás um Homem!



[Não quero ter o que eu não tenho, eu não tenho medo de errar]


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Quarta-feira, Dezembro 31, 2008

[E ela iria mudar o sua vida para sempre...]


Virada em ondas, o ano chega e marca o que ficou: dúvidas, confusões, sentimentos arrebatadores, regados a água salgada de lágrimas, suor, mar e sinceridade. Na praia, todos eram testemunhas do que estava por vir, e vira uma, duas, três doses de tequila... Todos os feriados transcorreram em busca de paz, alivio, descanso... este só seria encontrado em meados de agosto, quando o amor viesse para dar fim ao desespero da falta de fé, e dar contorno ao ser. Com este, mais há muito mais o que fazer, o que não significa cansaço, mas sim, o tão esperado amor tranqüilo com sabor de fruta mordida.

Janeiro
Primeiro dia do ano, bater cabeça, pedir FORÇA, FIRMEZA E PROTEÇÃO. Que venha o ano...
Gira de Cachoeira, mais linda e emocionante impossível. Muita chuva pra lavar a alma e renovar qualquer energia estagnada. Esclarecimento de muitas dúvidas e muitos incentivos a ter força para fazer o que o coração manda, afastando de si o sentimento de solidão. Ir atrás das cores, deixar a calmaria, o certo, pelo emocionante, pelo final da história contada às avessas de um encontro feliz e oportuno. Intuição aguçada.
Cida, trás todo sentido de uma vida, aprender a ver minha mãe como rédeas pra não alcançar a desgraça de outras vidas e não como pedra no meio do caminho...
Dia 12, sofrimento, choro... descobrimento das células que se desenvolvem ingratamente pelo corpo daquela que me gerou, o câncer. Pouco a pouco, tomando-lhe a vida. Força, coragem, daquela mãe maior do mundo: Maria Carolina Pimenta. Inicio da luta.
Luta pela vida,pela qualidade dessa, pela bolsa da faculdade... lutas....

“Aponta pra fé, e rema”

Fevereiro

Dores de estomago exigiram atenção especial ao corpo. Algo que não está sendo digerido. Emoções, aflições.
CURITIBA. Sempre me cura. Conhecer parque Tanguá, e ir em todos aqueles que já amo, Barigui, praça Espanha, Santa Felicidade, Ilha do Mel, Morretes, conversas e confissões. Tudo que eu mais preciso no mundo. Conhecer Mandy, Caio e Abage. Decepção em verde, e felicidades em abraços e choros sinceros. Mimi, Giba, Brux, vcs são eternos! Muito choro pra voltar... saudade que não cabe em mim.
Trote dos bixos. Volta ás aulas. Ler “O Guardião da Meia-Noite”, o melhor livro.

“Já não sinto amor, nem dor, já não sinto nada... socorro alguém me dê um coração que esse já não bate nem apanha, por favor uma emoção pequena qualquer coisa, qualquer coisa que se sinta, tem tanto sentimento deve ter algum que sirva”


Março

Início das aulas de Flamenco. Cirurgia espiritual no estômago. A primeira endoscopia a gente nunca esquece, especialmente consciente. Muitas tentativas de conversa em casa... Maria Bahiana diz: “Pra encontrar o que você quer, é preciso trabalhar a mente...”
Flávia... presente do mês.
Maria Conga (Norma): - “Você terá tudo o que quer, mas não será no seu tempo. Não esqueça que você é um ser iluminado”.
Fabrizio e ZéCarlos, todo companheirismo e profissionalismo que há. Por/ com vocês!
Aula da faculdade começa pesar...

Abril

Um presente maravilhoso da banda... o ponto.
Pai Joaquim: “as coisas melhoraram porquê você melhorou, resolveu o que tinha pra ser resolvido...”
2º vez que fico bêbada na vida.
Retorno ao Teatro.
15 – Marisa vai embora do programa, como coordenadora,faz falta.
Mais uma tentativa frustrada de se acertar na vida.
Feira do Índio, pior gripe do mundo. Dani salva.
Vovó Maria Conga: “Ninguém sabe a missão que vos tem”
Pai Joaquim: “Tudo que é feito com o coração é o caminho certo da felicidade”

Maio

Me enxergo em lentes embaçadas, distorção da realidade (Thalita quem o diz) chata desinteressante, sem graça...incapaz, infeliz, solitária.
Ir atrás da felicidade, ou do que parecia ser. Festa anos 80/90 e... 3º vez bêbada na vida. Não me envergonho, sei que são raras e essa foi a ultima vez do ano. Prometi que não faria de novo. Porém, nada de vômitos e micos, e super amizade com a coitada da enfermaria, ela mesma disse: ela está bem. Viu viu, eu disse.
Encontros, desencontros e despedidas... É a vida desse meu lugar, é a vida.
Assumimos oficialmente o CECCS (Centro do Estudo da Ciência do Comportamento de Santos), preparos para a semana da psicologia.
19- HOME... Curitiba, pra temperar os sonhos e curar as febres, dessa vez a pior e melhor viagem, acompanhada de Thales. Inesquecíveis momentos que passamos juntos.
CONGRESSO DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS
SHOW ENGENHEIROS DO HAWAII
PRAIA DE LESTE
O melhor mês.

Junho

Fazer valer o que se diz.
Férias! Muito bem vinda...
Mais dúvidas entram pela porta da frente. E eu querendo sair pela janela, sou obrigada a ficar e colocar ordem.
Filme: “Eu sei que vou te amar” Total identificação.
Falta de confiança total em amor, fidelidade, confiança...

Julho

No trabalho a sensação que só eu enxergo as coisas, ou será só eu me importo demais com as coisas? Frustração, muito esforço, cansaço...
Dividida em dois.
Vovó Maria Conga (Norma) e Pai Joaquim: “Muito séria, muito ansiosa, viver um dia por vez, o que é do seu caminho vai chegar e ficar, e o que não é, não vai. Você gosta de tudo certinho e as coisas não são assim, você se fecha para não ser feliz nem triste, assim não sou feliz nunca. Ser mais brincalhona e menos séria. Filha, quando você pensa que é, não é, quando você pensa que não é, é.
Atuar pela conveniência. Racional.
Mais uma vez Mãe salva, conversa, acalma, ajuda a achar a saída. Mais que mãe de umbanda, um anjo a esclarecer e encontrar o caminho, dar fé e coragem pra verdade sempre. Porém, nem tudo é como esperamos ser melhor.

30 – Seqüestro do gatinho cupido.

Agosto

Cheetos, surpresas, encanto.
Morte e vida.
Verdade á tona...
De presente, reviravolta mais feliz do ano.
08.08.08 três vezes o infinito. O etéreo.
O velho e o moço, head over feet, if a God was one of us?
12- Conhecer a menininha mais encantadora do mundo! Alanis! Fran, Paulo, Nelsinho... parte da vida. O resto, que o tempo apague com a pata de leão.
Mês de Iemanjá, Semana da Psicologia (realização como Diretora de Pesquisa, muito trabalho).

Setembro
Corre corre... todo final de semestre pede um pouco mais de paciência. Violência por perto, coração aperta, lágrimas....
“quem se atreve a me dizer do que é feito o samba...nem se atreva a me dizer...”
07- medo, calafrio, choro que não acaba mais... Pedido aos céus e Santos todos por superação. Dores de garganta... corpo gritando.
Reiki. Busca de equilíbrio.. anjos: Marco e Cleo.
16- Primeiro Eu Te Amo. Com toda verdade do mundo, e com todas provas possíveis.
26-Resolver situações, hora da verdade.
30 – Red return. Alianças que nos une... hoje, amanhã...

Outubro
Resquícios de história que se espalham pelo chão... Respirar fundo várias vezes. Pescoço trava, corpo grita mais uma vez socorro.
Festa das Crianças, linda, sempre inesquecível, aquece o coração com novas esperanças e alegrias.
Saltimbancos.
16- perda total. Descontrole.Perder as forças.
22- Salve os Pretos Velhos! Pai Joaquim, amor e carinho.
“Estar com você é comemorar todos os dias a vida e o amor. É o sentimento que ainda existem pessoas lindas e merece-la é algo que pretendo alcançar, algum dia , todos os dias. Quero me tornar digna de ti para que nosso amor não sobre, que eles nos caiba por inteiro por toda a vida feita dos nossos dias. Fica assim, redundante dizer que te amo.”

a ultima chave sempre abre a porta' do meu novo ano
Novembro

Apartamento. Lar doce Lar.

Dezembro

Apresentação Flamenco.
Carta
Dias Maravilhosos.


:: por CAMILLA POUZA SALGADO :: 6:38 PM ::
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Segunda-feira, Outubro 13, 2008

tanto tempo e a música do post anterior é atual.

Tenha coragem pra seguir comigo pois não tenho medo de me expor, se exponha a mim ou poderei saber um pouco mais que sabe, e ora ou outra lhe direi palavras que farão saltar os olhos e se encolher em fuga. Mas me preservo. Tenho medo de passar a vida toda vivendo de mentira.

"Minha voz fraca entoa o amor
mas ela chora ao estalo do tempo
Oh, tempo.
espere no fogo
E ela chora no meu braço
Andando ao brilho das luzes na aflição
beba uma pouco de vinho e nós, ambos devem ir amanhã
meu amor
E a chuva está caindo e eu acredito que a hora está chegando
Me lembra uma dor que eu devo ter esquecido
Aguarde no fogo
E eu sinto eles afundarem meu nome
Tão fácil de saber e esquecer com esse beijo
Eu não tenho medo de ir mas estou indo lentamente"



:: por CAMILLA POUZA SALGADO :: 10:39 AM ::
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Terça-feira, Junho 10, 2008

Deixo tudo assim
não me importo em ver
a idade em mim
ouço o que convém
eu gosto é do gasto

sei do incômodo
e ela tem razão
quando vem dizer
que eu preciso sim
de todo o cuidado

e se eu fosse o primeiro
a voltar pra mudar
o que eu fiz
quem então agora eu seria?

ahh tanto faz
e o que não foi nao é
eu sei que ainda vou voltar
mas eu quem será?

deixo tudo assim
nao me acanho em ver
vaidade em mim
eu digo o que condiz
eu gosto é do estrago

sei do escândalo
e eles tem razão
quando vem dizer
que eu não sei medir
nem tempo e nem medo

e se eu for o primeiro
a prever e poder
desistir do que for dar errado

ahhh ora se não sou eu
quem mais vai decidir
o que é bom pra mim
dispenso a previsão

ahhh se o que eu sou
é tambem o que eu escolhi ser
aceito a condição

vou levando assim
que o acaso é amigo
do meu coração
quando falo comigo
quando eu sei ouvir


:: por CAMILLA POUZA SALGADO :: 10:48 PM ::
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Domingo, Janeiro 27, 2008

[Não esquecer]

15 dicas para a dieta:
(não esquecer especialmente da primeira)


Pense se você não está comendo para preencher algum vazio existencial . Se achar que sim, procure uma maneira de solucionar o problema. "Banhá-lo" de chocolate ou caramelo só complica a sua situação.

Coloque na sua cabeça que caminhar todo dia um pouquinho vai fazer bem não só para a sua dieta, como para a sua saúde. Para quem está muito acima do peso, o ideal é começar devagar, caminhando cerca de 10 minutos por dia, aumentando gradativamente.

Toda vez que for comer, lembre-se de que você está fazendo uma degustação e, por isso, precisa mastigar devagar, sentindo o sabor dos alimentos. Entre uma garfada e outra, descanse os talheres.

Não coma no sofá ou em frente ao computador ou da tevê. Lugar de se comer é à mesa, onde você presta atenção nos alimentos e evita exageros

Nunca coma com as mãos (por exemplo: salgadinhos, amendoim, bolacha etc) porque assim não é possível ter a noção certa de quanto está consumindo. Até fruta deve-se comer picada e colocada num prato.

Lembre-se sempre de que não é possível dormir gordo e acordar magro. Você demorou meses e, às vezes, até anos para engordar. Também vai demorar um pouco para emagrecer. Mas nada de desanimar.

Não existe fórmula mágica. Mas pode reparar: fazendo tudo certinho, todos os dias você enxuga um pouquinho da barriga

Aquela velha lição continua valendo: faça de quatro a cinco refeições diárias, intercalando com frutas.

Muita salada ajuda a enganar o estômago e comer menos nas refeições. Procure verduras e legumes que você goste e não sejam muito calóricos. Oriente-se pela cor dos alimentos, ou seja, quanto mais variado, melhor.

Faça como a atriz Carolina Ferraz: tome muita água durante o dia. Mas entre as refeições, e não durante. Os líquidos em excesso dificultam a digestão. Em excesso. Um copinho de refrigerante light, do seu suco favorito ou de água está liberado.

Se aparecer um programa que inclua pizza, não precisa sair correndo. Procure diminuir a quantidade. Em vez de quatro pedaços, coma dois, e prefira as menos calóricas como de mussarela ou de verduras.

O mesmo vale para os doces. Se der aquela vontade desesperada de comer um quindim, não adianta substituir por uma maçã, porque a vontade vai permanecer. Então, o ideal é comer um pedaço bem pequeno do seu doce preferido. Porém, evite ter um estoque de doces em casa. Se der vontade, saia para comprar. Pode ser até que a preguiça seja maior que a vontade e aí você desista.

Tenha sempre à mão alimentos como tomate, pepino, pedacinhos de queijo branco ou frutinhas picadas. Eles são ideais para enrolar a fome. Procure levar para o trabalho uma fruta, barra de cereais ou torradas.

Não fique se achando a pior pessoa do mundo porque está sentindo fome no início da dieta. Dá fome mesmo. Então, use os truques acima para persistir


dica pessoal: não esquecer de visualizar a barriga evaporando, indo embora como chegou: rapidinho e do nada.!


:: por CAMILLA POUZA SALGADO :: 12:43 PM ::
Comentários:


Segunda-feira, Dezembro 31, 2007

[Retrospectiva 2008]

Mal sabia que aquela entrada do ano na cidade da garoa seria a única em suas vidas que marcaria pra vida toda...e que teria tudo ou tanto haver com todo o clima que se instaurou durante o ano. Cinza, e a chuva fina agradavelmente mágica... com alegrias, confissões, explosões, choros, saudades, tudo de dentro para fora, tal qual deve ser o amor. Banhadas ao som de Rita Lee, Calipso, uma dança em cima dos passeios das ruas e colchões de hotel.

[:Janeiro:]

O ano começa com esperança de que este seria melhor. Novas expectativas. Uma bailarina na corda bamba vive seus momentos de alegria, emoção, euforia, depressão. Ensaios, carnaval chega antes, aquece a alma...domina o corpo e toma forma de Colombina.

[:Fevereiro:]

Volta ás aulas, segundo ano, veteranos já podem dar trotes, e a tesoura toma as mãos. Trote de tanta importância quanto o primeiro, é o primeiro, que a gente nunca esquece.
E vem aquele bar, pequeno, onde os sonhos puderam ser. Maybe, maybe, maybe...
A praia do Góes, a brindar nosso sono, e uma ação que mudará para sempre suas vidas, ao final do mês, aquele espaço foi tomando cor ao subir as escadarias, nem dava pra imaginar que ganharia um lugar todo especial, seria a razão de toda uma existência. As consultas já preparavam pra algo muito maior...

[:Março:]

O tratamento trás melhora, o sono que não deixava em pé, agora se transforma em segurança. Os olhos estavam mesmo enxergando o certo.
Uma viagem para Franca, apresentações de um sonho, Traços&Troças, Vidas (Quase) Azuis, e eu já poderia sair de lá extremamente realizada. Mais ensaios, Exodus, Gil... Desdobramento do tempo.
O trabalho avança, do papel para pequenas experimentações coreográficas.

[:Abril:]

Primeira consulta que me dá todas as certezas de que rumo tomará minha vida, tudo que eu ouvi... “se um lugar não te respeita como humano, não serve para você, se você não respeita o outro como humano, não merece estar lá”.
-“Você não é correspondida no amor”.... E esta senhorinha não poderia estar mais certa.
Início das dores de tendinite por conta dos ensaios, suspeita de dengue, leucócitos baixos, tontura, enjôo por toda a semana.
Voltar a São Paulo. Lembranças. E pelo fim do mês a tristeza vem, mas vai embora antes do fim do mês.
Trabalho, a receita de alfazema, para tratar com as mãos.

“Quero chegar aos 40 não querendo a faca nem o queijo, mas a fome”

[:Maio:]
O mês da bronquite, falta de ar, tosse.
Um presente especial, filme favorito, As Horas.
-“A angústia é motivo da mediunidade, banda formada, muitas encarnações (...) é preciso tempo pra lazer (...) ter tratamento pra médium”.
Elogios no teatro, a dor que é posta em cena, é a dor que está em mim, e só eu sei e como sei, o grito.
Vira-volta, a doença que derruba, levanta fortalezas. Uma caxumba, bem significativo... Dar forma ao caminho. “-Eu desisto de você, se você desistir”. Ganhamos uma nova chance, - “O sábado existe”.
A doença toma conta de todo um espaço, indicando quais pessoas não poderiam mais se deixar ali.
Torção de pulso. Tendinite gritando.Tristeza...
Uma surpresa,a mais linda... um caminho de rosas...chocolates, que terminam em barquinhos de papel afundando na Lagoa da Saudade, embaixo de um guarda-chuva verde e vermelho.
29 de maio, ir comprar tecido para a roupa mais importante, aquela que aquece a alma.
No filme, não ficamos para o final.

“ Fale com a sua mãe, você vai conseguir, porque te vejo aqui. Um dia ela entende. Sem gritar, sem espernear, sem birra, na conversa. Está chegando a hora de vós cuidar dela, se fizer birra ela vai achar que você ainda precisa que ela cuide de você. O mundo precisa de uma religião. O velho gosta de você, é boa filha”

[:Junho:]
O mês entra desabando nas minhas costas... choro, uma tristeza que não dá pra saber de onde vem, o pedido pra não ser verdade.
“Don´t Speak”
Assistir a Gira.
“ Ela me faz tão bem, ela me faz tão bem...”
De saco cheio da prisão...Sem concentração, sem vontade, a hora não passa.
Dispensada, o exodus bem aqui.
Ao dia 06, a inscrição.
Praia do Góes, uma jóia. Emoção, a mais importante que já tive. Significado maior do mundo. Adofeaba mamãe Iemanjá, estará comigo. Guia pronta.
Mais orientações. “Não esperar que mude porque não vai mudar, não vai adiantar falar”.
Cortar o cabelo BEM curto. Romper, ruptura externalizada. Tirar o peso das costas.
ANJO, visita de um anjo, de nome “Latinha”.
Primeira Gira a dia 16.
“Tudo tem seu tempo, tire todas as preocupações da sua cabeça”

[:Julho:]
Nasce a pequenina de pano.
Destino que está nas minhas mãos: “Você terá sempre tudo que quer, vai alcançar, o que é teu, está guardado”. Que assim seja.
Fim.
“A rosa se despetalou...”
Início.
“O fogo ilumina muito e por muito pouco tempo, em muito pouco tempo o fogo apaga e tudo e tudo um dia vira luz, e toda vez que falta luz, o invisível nos salta aos olhos”

[:Agosto:]
Felicidade que não cabe em mim, e saudade...
Cabelos ganham um tom mais escuro, a mecha preta...
“Ta bem, fia?”
“Indo”
“Indo pra onde, que eu não sei?”
“Também não sei”
“Já já vai saber”

“Mas eu sei que no coração, ficaram muitas palavras, um vocabulário inteiro de ilusões”.

Aniversário mais maluco e conturbado de todos... Pausa pro mundo.
“Feche os olhos, tome ar, é hora do mergulho”
“Vastas emoções, pensamentos imperfeitos”
dia 23.

[:Setembro:]
“Tire as coisas da cabeça, as respostas vem quando tem que vir e não quando a gente quer”
- Engordar... fase gorda da vida...
- Cortar mais o cabelo, significativo.
Juja, bem vinda à vida. Irmãzinha querida!
Conversas sobre vazio.
- Tentativa de preenchimento – teatro.
Perder a fé nas pessoas.
Maior ensinamento que ela me deu esse ano inteiro: “Eu não sou eterna, você também não”. E um beijo no rosto.

[:Outubro:]

6. Meu Batizado. Um dos dias mais emocionantes e felizes da minha vida. Escolha pra vida inteira.
“De acordo com o caminho que escolhemos seguir, há espinhos, mas com perseverança, se alcança os objetivos”.
Desde a decoração,até o ultimo balão estourar, tudo que eu precisava. Alegria, choro, que esquecemos que sentimos com tanta pureza, quando éramos crianças. E proporcionar àqueles pequenos que ainda podem e não tem muitas oportunidades, de sentir alegria nem que seja por um dia, com a festa mais linda, das crianças.
“Quanto mais procura, mais se esconde”
“Se continuar assim, como está, conseguirá o que quer”

[:Novembro:]
Se você sente muito, eu sinto ainda mais. Outra ruptura.
“Novos Horizontes, senão for isso o que será? Quem constrói a ponte, não conhece o lado de lá/ Quero explodir as grades e voar, eu não tenho pra onde ir, mas não quero ficar/ suspender a queda livre, libertar/ o que não tem fim sempre acaba assim”
Escolhas do melhor, para o melhor. Sem mais sofrimentos por essa vez.
Bienal de Dança.
Paulo, Thiago, passam a fazer parte da minha vida...
Mensagem inesperada trás aos olhos toda a verdade necessária, causadora de tanto sofrimento até esta data, 5 anos depois, Deus me deu esse presente direto da fonte. O problema não está nas pessoas, mas no que eu acreditei. Mentira, irreal, perfeito e bom demais para ter sido de verdade. Pra que eu tivesse tomado aquilo como referência de coisa boa, como ponto a ser alcançado. Estar livre finalmente de toda e qualquer fantasia que impedia de viver com as pessoas sem a ignorância de querer que elas melhorem. Aprendido. Desmistificado.

“Tudo mudou, ela acordou, estava onde nunca quis estar, tudo mudou ela acordou, ela está pronta pra recomeçar”.
“Onde eu guardei a fé... em nós”
A virada de duas cores mais linda.

[:Dezembro:]

Abrir o mês num paraíso. Praia, amor, amigos, sol, nuvens, mar...pertinho Dela.
O vazio vai embora quando encontro o mar. Só poderia confirmar no dia mais importante desse ano para mim, 08.12. Dia de pensar, chorar, se emocionar, estar feliz, atenta, entregue. Pra toda vida, tenho certeza que sim.
Cortar mais o cabelo. Deixar pra trás pontas duplas. Seguir o caminho em paz, de pés descalços aguardando que o tempo mude.
“A filha está com muita minhoca na cabeça” 
Mais sensível que nunca, e querendo ficar sozinha pra que o momento de tanta paz não se dissipe do coração. Mais próxima da família da alma, que amo mais a cada tempo que passa, só cresce.
Encerramento no núcleo, resultado de um trabalho duro. Lindos!
Praia. Emociona... dá força, leva embora todo vazio, trás luz aos olhos. Esperança de um próximo ano mais bonito.

[Retrospectiva 2008]

Mal sabia que aquela entrada do ano na cidade da garoa seria a única em suas vidas que marcaria pra vida toda...e que teria tudo ou tanto haver com todo o clima que se instaurou durante o ano. Cinza, e a chuva fina agradavelmente mágica... com alegrias, confissões, explosões, choros, saudades, tudo de dentro para fora, tal qual deve ser o amor. Banhadas ao som de Rita Lee, Calipso, uma dança em cima dos passeios das ruas e colchões de hotel.

[:Janeiro:]

O ano começa com esperança de que este seria melhor. Novas expectativas. Uma bailarina na corda bamba vive seus momentos de alegria, emoção, euforia, depressão. Ensaios, carnaval chega antes, aquece a alma...domina o corpo e toma forma de Colombina.

[:Fevereiro:]

Volta ás aulas, segundo ano, veteranos já podem dar trotes, e a tesoura toma as mãos. Trote de tanta importância quanto o primeiro, é o primeiro, que a gente nunca esquece.
E vem aquele bar, pequeno, onde os sonhos puderam ser. Maybe, maybe, maybe...
A praia do Góes, a brindar nosso sono, e uma ação que mudará para sempre suas vidas, ao final do mês, aquele espaço foi tomando cor ao subir as escadarias, nem dava pra imaginar que ganharia um lugar todo especial, seria a razão de toda uma existência. As consultas já preparavam pra algo muito maior...

[:Março:]

O tratamento trás melhora, o sono que não deixava em pé, agora se transforma em segurança. Os olhos estavam mesmo enxergando o certo.
Uma viagem para Franca, apresentações de um sonho, Traços&Troças, Vidas (Quase) Azuis, e eu já poderia sair de lá extremamente realizada. Mais ensaios, Exodus, Gil... Desdobramento do tempo.
O trabalho avança, do papel para pequenas experimentações coreográficas.

[:Abril:]

Primeira consulta que me dá todas as certezas de que rumo tomará minha vida, tudo que eu ouvi... “se um lugar não te respeita como humano, não serve para você, se você não respeita o outro como humano, não merece estar lá”.
-“Você não é correspondida no amor”.... E esta senhorinha não poderia estar mais certa.
Início das dores de tendinite por conta dos ensaios, suspeita de dengue, leucócitos baixos, tontura, enjôo por toda a semana.
Voltar a São Paulo. Lembranças. E pelo fim do mês a tristeza vem, mas vai embora antes do fim do mês.
Trabalho, a receita de alfazema, para cuidar com as mãos.

“Quero chegar aos 40 não querendo a faca nem o queijo, mas a fome”

[:Maio:]
O mês da bronquite, falta de ar, tosse.
Um presente especial, filme favorito, As Horas.
-“A angústia é motivo da mediunidade, banda formada, muitas encarnações (...) é preciso tempo pra lazer (...) ter tratamento pra médium”.
Elogios no teatro, a dor que é posta em cena, é a dor que está em mim, e só eu sei e como sei, o grito.
Vira-volta, a doença que derruba, levanta fortalezas. Uma caxumba, bem significativo... Dar forma ao caminho. “-Eu desisto de você, se você desistir”. Ganhamos uma nova chance, - “O sábado existe”.
A doença toma conta de todo um espaço, indicando quais pessoas não poderiam mais se deixar ali.
Torção de pulso. Tendinite gritando pela minha boca.Tristeza...
Uma surpresa,a mais linda... um caminho de rosas...chocolates, que terminam em barquinhos de papel afundando na Lagoa da Saudade, embaixo de um guarda-chuva verde e vermelho.
29 de maio, ir comprar tecido para a roupa mais importante, aquela que aquece a alma.
No filme, não ficamos para o final.

“ Fale com a sua mãe, você vai conseguir, porque te vejo aqui. Um dia ela entende. Sem gritar, sem espernear, sem birra, na conversa. Está chegando a hora de vós cuidar dela, se fizer birra ela vai achar que você ainda precisa que ela cuide de você. O mundo precisa de uma religião. O velho gosta de você, é boa filha”

[:Junho:]
O mês entra desabando nas minhas costas... choro, uma tristeza que não dá pra saber de onde vem, o pedido pra não ser verdade.
“Don´t Speak”
Assistir a Gira.
“ Ela me faz tão bem, ela me faz tão bem...”
De saco cheio da prisão...Sem concentração, sem vontade, a hora não passa.
Dispensada, o exodus bem aqui.
Ao dia 06, a inscrição.
Praia do Góes, uma jóia. Emoção, a mais importante que já tive. Significado maior do mundo. Adofeaba mamãe Iemanjá, estará comigo. Guia pronta.
Mais orientações. “Não esperar que mude porque não vai mudar, não vai adiantar falar”.
Cortar o cabelo BEM curto. Romper, ruptura externalizada. Tirar o peso das costas.
ANJO, visita de um anjo, de nome “Latinha”.
Primeira Gira a dia 16.
“Tudo tem seu tempo, tire todas as preocupações da sua cabeça”

[:Julho:]
Nasce a pequenina de pano.
Destino que está nas minhas mãos: “Você terá sempre tudo que quer, vai alcançar, o que é teu, está guardado”. Que assim seja.
Fim.
“A rosa se despetalou...”
Início.
“O fogo ilumina muito e por muito pouco tempo, em muito pouco tempo o fogo apaga e tudo e tudo um dia vira luz, e toda vez que falta luz, o invisível nos salta aos olhos”

[:Agosto:]
Felicidade que não cabe em mim, e saudade...
Cabelos ganham um tom mais escuro, a mecha preta...
“Ta bem, fia?”
“Indo”
“Indo pra onde, que eu não sei?”
“Também não sei”
“Já já vai saber”

“Mas eu sei que no coração, ficaram muitas palavras, um vocabulário inteiro de ilusões”.

Aniversário mais maluco e conturbado de todos... Pausa pro mundo.
“Feche os olhos, tome ar, é hora do mergulho”
“Vastas emoções, pensamentos imperfeitos”
dia 23.

[:Setembro:]
“Tire as coisas da cabeça, as respostas vem quando tem que vir e não quando a gente quer”
- Engordar... fase gorda da vida...
- Cortar mais o cabelo, significativo.
Juja, bem vinda à vida. Irmãzinha querida!
Conversas sobre vazio.
- Tentativa de preenchimento – teatro.
Perder a fé nas pessoas.
Maior ensinamento que ela me deu esse ano inteiro: “Eu não sou eterna, você também não”. E um beijo no rosto.

[:Outubro:]

6. Meu Batizado. Um dos dias mais emocionantes e felizes da minha vida. Escolha pra vida inteira.
“De acordo com o caminho que escolhemos seguir, há espinhos, mas com perseverança, se alcança os objetivos”.
Desde a decoração,até o ultimo balão estourar, tudo que eu precisava. Alegria, choro, que esquecemos que sentimos com tanta pureza, quando éramos crianças. E proporcionar àqueles pequenos que ainda podem e não tem muitas oportunidades, de sentir alegria nem que seja por um dia, com a festa mais linda, das crianças.
“Quanto mais procura, mais se esconde”
“Se continuar assim, como está, conseguirá o que quer”

[:Novembro:]
Se você sente muito, eu sinto ainda mais. Outra ruptura.
“Novos Horizontes, senão for isso o que será? Quem constrói a ponte, não conhece o lado de lá/ Quero explodir as grades e voar, eu não tenho pra onde ir, mas não quero ficar/ suspender a queda livre, libertar/ o que não tem fim sempre acaba assim”
Escolhas do melhor, para o melhor. Sem mais sofrimentos por essa vez.
Bienal de Dança.
Paulo, Thiago, passam a fazer parte da minha vida...
Mensagem inesperada trás aos olhos toda a verdade necessária, causadora de tanto sofrimento até esta data, 5 anos depois, Deus me deu esse presente direto da fonte. O problema não está nas pessoas, mas no que eu acreditei. Mentira, irreal, perfeito e bom demais para ter sido de verdade. Pra que eu tivesse tomado aquilo como referência de coisa boa, como ponto a ser alcançado. Estar livre finalmente de toda e qualquer fantasia que impedia de viver com as pessoas sem a ignorância de querer que elas melhorem. Aprendido. Desmistificado.

“Tudo mudou, ela acordou, estava onde nunca quis estar, tudo mudou ela acordou, ela está pronta pra recomeçar”.
“Onde eu guardei a fé... em nós”
A virada de duas cores mais linda.

[:Dezembro:]

Abrir o mês num paraíso. Praia, amor, amigos, sol, nuvens, mar...pertinho Dela.
O vazio vai embora quando encontro o mar. Só poderia confirmar no dia mais importante desse ano para mim, 08.12. Dia de pensar, chorar, se emocionar, estar feliz, atenta, entregue. Pra toda vida, tenho certeza que sim.
Cortar mais o cabelo. Deixar pra trás pontas duplas. Seguir o caminho em paz, de pés descalços aguardando que o tempo mude.
“A filha está com muita minhoca na cabeça” K
Mais sensível que nunca, e querendo ficar sozinha pra que o momento de tanta paz não se dissipe do coração. Mais próxima da família da alma, que amo mais a cada tempo que passa, só cresce.
Encerramento no núcleo, resultado de um trabalho duro. Lindos!
Praia. Emociona... dá força, leva embora todo vazio, trás luz aos olhos. Esperança de um próximo ano mais bonito.
O melhor presente de natal de todos os tempos, sempre surpreende...E o final mais melancólio e nostalgico de todos os anos.

Pessoas inesquecíveis:
Mayra
Fernanda
Natalia
Grupo Orgone (e todos ao redor)
Renato de Renzo

Pessoa essencial:
Juliana Abud


Pessoa (top of) especial:
Ana Paula Bertossi (e familia hahaha! mother in law!)

Pessoas que amo, sempre presentes:
Bruna Barral
Cris Alegretti
Leila Maria Cabral
Carlinha
Rafaela Roberta Conrado
Allan Brux
Gabriel Anjo
Nane
Gilberto Guerra
Mimi
Mi
Cailo
Paxão

Bem vindos pra vida toda:
Familia do centro Nossa Senhora da Conceição
Paulo
Thiago

Arnaldo


Obrigado especial
Maléfica, nem sei muito o que dizer, eu gosto tanto de vc assim! e vai ser pra sempre...mesmo com essa distância, a mesma respiraçao
Ana, bitu favorito, a pessoa mais desastrada e com isso, fofa, que eu conheço
Lucas: 2 e 2...5, a dança no nosso corpo
Toni: o bolo duro... mas de coração, bem mole... garfield! gosto tanto, a distancia nao separabolica
Mangi: a flor, a joia em uma concha, nao importa o que aconteça
Cappa, todas as nossas confusões, a emoção vivida pelo amor.
Dani. eu amo, com muita força, todas as mordidas que papai do céu puder te dar.
Má, o poema, a musica..a literatura. Encanto.
Mariana: Tanto tempo, a espera... 6 meses mais incríveis.
Yan, meu principe mais carinhoso... é importante, sabe que sim
Mabhy: vc é minha boneca, irmã, bruxa, eterna. Sabe disso, sempre estarei com vc.
Bruno: meu irmão de sangue... sempre te chamo e estou conversando com vc... nos pensamentos que sao mais puros que as palavras.
Kendy: nossa antipatia mais amorosa que existe. Todas as conversas interminaveis, nos lembrarão.

Mayla... está sempre em todos os quesitos... A melhor amiga que alguem poderia ter. Muita e toda minha força, minha alegria, minha esperança no ser humano, vem de acreditar que vc existe. Amo guria... eterno.

Mãe, mudou minha vida, sem palavras...Amo.

A todos aqueles que entraram pra minha vida, e os que sairao tambem. Aqueles que estiveram ao meu lado, sempre, muito obrigado, foi um ano lindo, muito marcante, e vcs farão parte eterna da estoria da minha vida.

Música: Carnavália

E que venha 2008...



:: por CAMILLA POUZA SALGADO :: 11:29 AM ::
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Terça-feira, Novembro 13, 2007

(...) "Toda loucura é um fracasso na relação com os outros: o alter torna-se alienus e eu, por meu lado, me torno estranho a mim mesmo, alienado. Poder-se ia quase dizer que eu existo somente na medida em que existo para os outros e, no limite, que ser significa amar". O conceito de pessoa está no cruzamento da realidade, da igualdade e da diferença, da multiplicidade e da unidade, da superação de si e do ser si mesmo. Com efeito, a pessoa não pode deter-se na relacionalidade, porque perderia identidade e diferença; mas não pode sequer deter-se na identidade, porque tem como característica justamente a capacidade de ser outro do que si mesmo, assumindo o ser pessoal de um outro, seja ele homem ou Deus: a comunicação é possível se cada um se transfere para o outro, revivendo a sua identidade. Para superar a tendência a fechar-se em si mesmo, saboreando a amarga sensação do nada, a pessoa deve tender a realizar relacionamentos profundos com o outro, até chegar à experiência da comunhão, na qual a transcendência pode ser caracterizada como transvivibilidade. A pessoa pode chegar a "ser o outro", a viver o outro ("Pedro é Joana", afirma Mounier, referindo-se a esse conceito). Trata-se de substituir o dispositivo dos "sentimentos fechados" pelo dispositivo dos "sentimentos abertos". "Começa no momento em que eu, indivíduo singular, consigo colocar-me no lugar do outro, amigo ou inimigo, sair de mim mesmo para entrar em seus pontos de vista, julgar segundo a justiça como se fosse a minha justiça, tomar na minha causa o espaço que me permitirá essa comunhão de espírito, sufocar em mim os frêmitos do amor próprio ou da ambição".

A pessoa, porém, experimenta contínuos obstáculos à comunicação. O movimento de personalização não pode prescindir dos fenômenos macroscópicos do anonimato, da incomunicabilidade, da dispersão. "A pessoa, no universo em que vivemos, encontra-se, com maior freqüência, mais exposta do que circundada, na desolação do que na comunicação: ela é avidez de presença, mas o mundo inteiro lhe é completamente ausente". Contudo, o fracasso jamais é definitivo, os obstáculos convidam à superação e as frustrações são motivo de desencadamento de repetidas interações mais profundas, na convicção de que sozinho não nos salvamos.

O diagnóstico sartriano tem a sua parte de verdade, mas se é verdade que o outro é para o eu uma fonte do ser não menos do que o próprio eu, é preciso recuperar os obstáculos e as dificuldades como tábua de impulsão, como chamada ao transcender-se recíproco, portanto recusa do projeto de fusão absoluta, com a pretensão oculta de possuir o outro. Com efeito, o outro "sacode as minhas seguranças, os meus hábitos, o meu torpor egocêntrico".

Podemos chamar de transcendência horizontal esse modo de relacionar-se com o outro, capaz de gerar o "nós", real como o eu e o tu. Também a fenomenologia fala de um nós como de uma realidade que ultrapassa o eu e o tu, mas o personalismo de Mounier chega a falar de personnes collectives, personnes de personnes, aludindo à centralidade da aspiração à comunhão. Entre a simples vizinhança e a comunhão há toda uma gama de matizes que qualificam o compromisso de criar com os outros uma "sociedade de pessoas cujas estruturas, costumes, sentimentos e instituições sejam marcados pela sua natureza de pessoas". (...)

* Trecho extraído do texto Emmanuel Mounier - A dimensão teológica da Pessoa, de Attilio Danese.

** O texto completo se encontra na obra Deus na Filosofia do Século XX, organizada por Giorgio Penzo e Rosino Gibellini.


:: por CAMILLA POUZA SALGADO :: 12:39 PM ::
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Segunda-feira, Outubro 15, 2007

"E r a p r e c i s o p a g a r o t á x i . E u e M i r i a m t r a r í a m o s a a n g ú s t i a e o m u r o p a r a c a s a . C o n v i v e r í a m o s c o m e l e . O b s e r v a r í a m o s s u a i n f l e x i b i l i d a d e . A r r a n h a r í a m o s s u a s u p e r f í c i e , m a s n ã o a d i v i n h a r í a m o s o e n i g m a c o n t i d o e m s e u r i g o r . E o c o n t e m p l a r í a m o s , d e s o l a d o s . F i n a l m e n t e , o a b a n d o n a r í a m o s a u m c a n t o a t é e s q u e c ê - l o . Q u a n d o , t e m p o s d e p o i s , n o s d e p a r á s s e m o s c o m e l e , n u m a t a r d e m o r n a d e s e g u n d a - f e i r a , d e s g a r r a d o d e s e u s i g n i f i c a d o , d e s u a o r i g e m e d e s u a n a t u r e z a , o p o r í a m o s p a r a f u n c i o n a r n o s c i r c u i t o s c o t i d i a n o s d a c a s a . E i s o m u r o , a n t e s c a s m u r r o e s i n t o m a d a i n c o m u n i c a b i l i d a d e é t n i c a , a g o r a c o n v e r t i d o e m p e ç a d e c o r a t i v a . T e r í a m o s e s t i l i z a d o o s i l ê n c i o . E s t e t i z a d o o d e s e r t o . F u n c i o n a l i z a d o o o b s t á c u l o . E s t e r i l i z a d o a t r a g é d i a . N ã o é e s s e o d e s t i n o d e t a n t a s i d é i a s i n c ô m o d a s ? C u i d a d o , p o r t a n t o . C o n s e r v e m o s o m u r o , m u r o , s e j a p a r a e x t r a i r - l h e a s c o n s e q ü ê n c i a s e c o m p r e e n d e r - l h e a s c a u s a s , s e j a p a r a q u e n ã o p e r c a m o s d e v i s t a a u r g ê n c i a d e d e r r u b á - l o .
O m u r o é e s t r a n h o , c o m o s ã o e n t r e s i e s t r a n h o s o s q u e e l e s e p a r a c o m s u a s o b e r b a . N ã o q u e r o a d o c i c á - l o , t o r c ê - l o , d o m e s t i c á - l o . S e r á n o s s o c ã o s e l v a g e m a m a r r a d o a o p é d a m e s a . I m p e d i r á q u e d e s c a n s e m o s . O c ã o f e r o z é o p r i n c í p i o a t i v o d o m u r o . S e r e l a x a r m o s , a p e r g u n t a m o r d e r á n o s s a s p e r n a s . A í e s t á a h i p ó t e s e d e C e l s o , m o s t r a n d o o s d e n t e s .

D e u m m u r o a o u t r o . F o i o q u e m e o c o r r e u q u a n d o d e i x a m o s o t á x i e s u b i m o s o s d e g r a u s a t é o p á t i o d o p r é d i o . S u b i t a m e n t e , t i v e u m a i d é i a - o v e r b o t e r , n e s s e c o n t e x t o , n ã o s i g n i f i c a p o s s u i r o u a d q u i r i r , m a s s e r t o m a d o ,
a t a c a d o o u p o s s u í d o , a s s i m c o m o s e d i r i a d e a l g u é m q u e _ t e v e _ u m i n f a r t o . A r r e g a l e i o s o l h o s . A n t e o s i n t o m a , q u e a n t e c e d e a s a t i s f a ç ã o e x p e r i m e n t a d a p o r q u e m p e n s a q u e r e s o l v e u u m p r o b l e m a , M i r i a m m e o l h o u i n q u i s i t i v a , a d i z e r - m e q u e n ã o , n ã o m e p r e c i p i t a s s e , d e i x a s s e l e v e d a r a i r r e s o l u ç ã o i n c ô m o d a , t i v e s s e p a c i ê n c i a p o i s n ã o h a v e r i a n a d a m e s m o m e l h o r a f a z e r q u e r e d u z i r d a n o s . E u s a b i a q u e e l a e s t a v a c e r t a , c o m o q u a s e s e m p r e a c o n t e c e . M a s t i v e a t a l i d é i a , e s t e e r a o f a t o : i m a g i n e i o u t r o m u r o . O q u e f a z e r c o m e l e ? D e c i d i d e i x á - l o a o l a d o , o l h a n d o o p r i m e i r o m u r o , c o m o e s p e l h o d o c ã o s e l v a g e m , a m o s t r a r - l h e q u e o u t r o s d e n t e s f e r o z e s o e s p r e i t a m , q u e e l e p o r t a n t o n ã o d o m i n a , e x c l u s i v o e s o b r a n c e i r o , o e s p a ç o m e n t a l q u e o c u p a . U m m u r o d i a n t e d o o u t r o f u n c i o n a c o m o e s p e l h o , m a s t a m b é m s e r v e a o u t r o p r o p ó s i t o , j u s t a m e n t e p o r c u m p r i r a f u n ç ã o e s p e c u l a r : u m i m p e d e q u e o o u t r o a v a n c e , c a s o a o m u r o D e u s c o n c e d a o d o m d e m o v e r - s e . A s s i m , i m a g i n a n d o o u t r o m u r o , p u s u m m u r o o b s t a n d o a v o n t a d e d e p o d e r d o o u t r o , p u s u m m u r o a v i g i a r o c ã o - c o n v e n c i o n a n d o - s e , n e s t e c a p í t u l o , q u e o c ã o é a f o r m a a t i v a d o m u r o .
Q u a l m u r o i m a g i n e i ? O m u r o d a R o c i n h a , a q u e l e q u e u m p o l í t i c o _ l i b e r a l _ s u g e r i u e r g u e r - s e p a r a c o n f i n a r a f a v e l a n e l a m e s m a , s o n h a n d o a s s i m i m p l o d i - l a e e x t i r p á - l a d o m a p a . E r r a d i c a r a f a v e l a p e l a g u e t i f i c a ç ã o v a l o r i z a r i a o m e t r o q u a d r a d o d a B a r r a d a T i j u c a e , q u e m s a b e ? , t o r n a r i a e n f i m p o s s í v e l a r e a l i z a ç ã o d o a n t i g o d e s e j o s e g r e g a c i o n i s t a d a s e l i t e s c a r i o c a s : a f a s t a r - s e d o l a d o m a u d a c i d a d e , m a n t e n d o c o n s i g o o c a r t ã o - p o s t a l . S e m a R o c i n h a , a B a r r a b r a n c a , l i m p a e r i c a , p o d e r i a d e c l a r a r s u a m a i o r i d a d e p o l í t i c a e a n e x a r - s e a M i a m i o u p o s t u l a r a a u t o n o m i a , i n s t i t u i n d o - s e m u n i c í p i o i n d e p e n d e n t e c u j o p r e f e i t o s e r i a p a r a s e m p r e u m y u p p i e b r a n c o e c o n s e r v a d o r , c a m p e ã o d a o r d e m u r b a n a . Q u e m p r o p ô s o m u r o e m v o l t a d a R o c i n h a n ã o e r a q u a l q u e r u m ; e r a a l g u é m s i n t o n i z a d o c o m o s d e s e j o s c o n s c i e n t e s e i n c o n s c i e n t e s d e s e g m e n t o s d o e l e i t o r a d o . O m u r o e r a o s í m b o l o d a v o n t a d e d e a p a r t a ç ã o .

O r a , s e h á a v o n t a d e , a s e p a r a ç ã o j á é v i v i d a , i n d e p e n d e n t e m e n t e d a c o n s t r u ç ã o d o m u r o . O m u r o v i r i a c e l e b r á - l a , c u l m i n a n d o u m p r o c e s s o d e a f a s t a m e n t o , s e m p r e e m c u r s o , s e m p r e i n c o n c l u s o . Q u a n d o o s n a v i o s n e g r e i r o s t r o u x e r a m p e d a ç o s d a Á f r i c a p a r a d e n t r o d o B r a s i l , e m b u t i r a m - n o s , s o b a f o r m a d o t r a b a l h o e s c r a v o , n a e s t r u t u r a d a s o c i e d a d e . A o s n e g r o s c o u b e a s e n z a l a : i n t e g r a ç ã o s u b a l t e r n a . N e s s e c a s o , a s d u a s p a l a v r a s s ã o i m p o r t a n t e s e r e v e l a m a s p e c t o s i g u a l m e n t e v e r d a d e i r o s e c o n t r a d i t ó r i o s : n ã o h o u v e s e p a r a ç ã o f í s i c a n e m a c r i s t a l
i z a ç ã o l e g a l d a s e g r e g a ç ã o , n a a t u a l C o n s t i t u i ç ã o . P e l o c o n t r á r i o . M a s a s u b a l t e r n i d a d e n u n c a f o i c o l o c a d a e m x e q u e . A i n t e g r a ç ã o d e u - s e

c o m o s u b o r d i n a ç ã o d e c l a s s e . M a s a c o r d a h i s t ó r i a p e r m a n e c e r e c a l c a d a e r e t o r n a c o m o s i n t o m a , n o m u r o d a R o c i n h a , s í m b o l o d o i n d i z í v e l .

A t é h o j e , o B r a s i l f a l a s e m p u d o r d a s d i f e r e n ç a s a b i s s a i s e n t r e a s c l a s s e s . S ã o c o n s t a n t e s a s d e n ú n c i a s r e l a t i v a s à s d e s i g u a l d a d e s s o c i o e c o n ô m i c a s , a i n d a q u e n ã o s e f a ç a n a d a a r e s p e i t o . A m í d i a a s a c o l h e s e m m a i o r e s p r o b l e m a s . M a s a i d e q u e m o u s a r m e n c i o n a r a c o r d a d e s i g u a l d a d e . A c o r é o n ã o - d i t o , t a n t o q u a n t o o g ê n e r o h a v i a s i d o , d u r a n t e s é c u l o s . _ N ó s n ã o s o m o s c o m o o s E s t a d o s U n i d o s _ , d i z e m o s q u e r e a g e m à s t e n t a t i v a s d e c o l o c a r a s c a r t a s d a c o r s o b r e a m e s a . D e n u n c i a r o r a c i s m o é q u a s e s e r a n t i b r a s i l e i r o , é q u a s e i m p a t r i ó t i c o . H á , s i m , r a c i s m o , a d m i t e m , m a s é d i f e r e n t e , c o m p l e t a m , o q u e e x i g e p o l í t i c a s t a m b é m d i f e r e n t e s , c o n c l u e m . D e s s a d i f e r e n ç a ( q u e m a n e g a r i a , o r a b o l a s , s e s o m o s o u t r o p a í s , c o m o u t r a c u l t u r a , o u t r a h i s t ó r i a ? c o m o n ã o h a v e r í a m o s d e s e r d i f e r e n t e s , a i n d a q u e o a r g u m e n t o d a d i f e r e n ç a n ã o v a l h a e m o u t r o s c a m p o s , c o m o o e c o n ô m i c o . . . ? ) , d e s s a d i f e r e n ç a p a r e c e m d i z e r q u e s e c a r a c t e r i z a p e l a d o c i l i d a d e , p e l a m o d e r a ç ã o . O u s e j a , t e r í a m o s u m a e s p é c i e d e r a c i s m o d o c e , c o r d i a l . C o n v e n h a m o s , m e l h o r e s c a n c a r a r o s m u r o s e t i r a r o i m b r ó g l i o d o a r m á r i o .
S e p a r t e d a s o c i e d a d e s o n h a m u r o s 3 e o s p r a t i c a , n o c o t i d i a n o , h á s é c u l o s , p o r q u e a o u t r a p a r t e n ã o d e v e r i a p r e v e n i r - s e , i m a g i n a n d o - o s à s u a m a n e i r a
- p o r e x e m p l o , r e n d e n d o - s e a o c e t i c i s m o q u a n t o à u n i d a d e i n t e r é t n i c a , q u e c o n s t i t u i e x a t a m e n t e a h i p ó t e s e d e C e l s o ? A l é m d i s s o , c o m o é q u e s e t i r a u m t e m a d o a r m á r i o ? C o m o é q u e s e f a z e m e r g i r o u m b i g o p l a n t a d o n o f u n d o m a i s r e m o t o d o i n c o n s c i e n t e c o l e t i v o , p r o t e g i d o p o r f o r t a l e z a s s e c u l a r e s e r a c i o n a l i z a ç õ e s c o n s a g r a d a s ? A c e i t a n d o a e t e r n a d e s c o n v e r s a a d o c i c a d a d o s b r a n c o s ? O m u r o n e g r o c r e s c e à s o m b r a d a m u r a l h a d e m i s é r i a , s i l ê n c i o e e s p o l i a ç ã o , q u e h u m i l h o u a b i s a v ó d e B i l l e o b i s a v ô d e C e l s o ."

trecho do livro "Cabeça de Porco" - adorando.... mesmo sendo no pc, e lendo por indicação da faculdade. É um bom livro... ler é sempre bom.

indico: documentário Falcão, meninos do tráfico. Pra quem cansou de brincar de luz, camera, ação com Tropa de Elite.


:: por CAMILLA POUZA SALGADO :: 8:47 PM ::
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Sexta-feira, Setembro 07, 2007

Trago dentro do meu coração,
Como num cofre que se não pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através de janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

(…)

Viajei por mais terras do que aquelas em que toquei...
Vi mais paisagens do que aquelas em que pus os olhos...
Experimentei mais sensações do que todas as sensações que senti,
Porque, por mais que sentisse, sempre me faltou que sentir
E a vida sempre me doeu, sempre foi pouco, e eu infeliz.

(…)

Não sei se a vida é pouco ou demais para mim.
Não sei se sinto de mais ou de menos, não sei
Se me falta escrúpulo espiritual, ponto-de-apoio na inteligência,
Consangüinidade com o mistério das coisas, choque
Aos contatos, sangue sob golpes, estremeção aos ruídos,
Ou se há outra significação para isto mais cômoda e feliz.

Seja o que for, era melhor não ter nascido,
Porque, de tão interessante que é a todos os momentos,
A vida chega a doer, a enjoar, a cortar, a roçar, a ranger,
A dar vontade de dar gritos, de dar pulos, de ficar no chão, de sair
Para fora de todas as casas, de todas as lógicas e de todas as sacadas,
E ir ser selvagem para a morte entre árvores e esquecimentos,
Entre tombos, e perigos e ausência de amanhãs,
E tudo isto devia ser qualquer outra coisa mais parecida com o que eu
penso,
Com o que eu penso ou sinto, que eu nem sei qual é, ó vida.

Cruzo os braços sobre a mesa, ponho a cabeça sobre os braços,
É preciso querer chorar, mas não sei ir buscar as lágrimas...
Por mais que me esforce por ter uma grande pena de mim, não choro,
Tenho a alma rachada sob o indicador curvo que lhe toca...
Que há de ser de mim? Que há de ser de mim?

(…)

Como um bálsamo que não consola senão pela idéia de que é um bálsamo,
A tarde de hoje e de todos os dias pouco a pouco, monótona, cai.

Acenderam as luzes, cai a noite, a vida substitui-se.
Seja de que maneira for, é preciso continuar a viver.
Arde-me a alma como se fosse uma mão, fisicamente.
Estou no caminho de todos e esbarram comigo.
Minha quinta na província,
Haver menos que um comboio, uma diligência e a decisão de partir entre
mim e ti.
Assim fico, fico... Eu sou o que sempre quer partir,
E fica sempre, fica sempre, fica sempre,
Até à morte fica, mesmo que parta, fica, fica, fica...

(…)

Vi todas as coisas, e maravilhei-me de tudo,
Mas tudo ou sobrou ou foi pouco - não sei qual - e eu sofri.
Vivi todas as emoções, todos os pensamentos, todos os gestos,
E fiquei tão triste como se tivesse querido vivê-los e não conseguisse.
Amei e odiei como toda gente,
Mas para toda a gente isso foi normal e instintivo,
E para mim foi sempre a exceção, o choque, a válvula, o espasmo.

(…)

Não sei sentir, não sei ser humano, conviver
De dentro da alma triste com os homens meus irmãos na terra.
Não sei ser útil mesmo sentindo, ser prático, ser quotidiano, nítido,
Ter um lugar na vida, ter um destino entre os homens,
Ter uma obra, uma força, uma vontade, uma horta,
Unia razão para descansar, uma necessidade de me distrair,
Uma cousa vinda diretamente da natureza para mim.

(…)

Multipliquei-me, para me sentir,
Para me sentir, precisei sentir tudo,
Transbordei, não fiz senão extravasar-me,
Despi-me, entreguei-me,
E há em cada canto da minha alma um altar a um deus diferente.

(…)

Poder rir, rir, rir despejadamente,
Rir como um copo entornado,
Absolutamente doido só por sentir,
Absolutamente roto por me roçar contra as coisas,
Ferido na boca por morder coisas,
Com as unhas em sangue por me agarrar a coisas,
E depois dêem-me a cela que quiserem que eu me lembrarei da vida.

(…)

Caem as folhas secas no chão irregularmente,
Mas o fato é que sempre é outono no outono,
E o inverno vem depois fatalmente,
há só um caminho para a vida, que é a vida...

(…)

Todas as madrugadas são a madrugada e a vida.
Todas as auroras raiam no mesmo lugar:
Infinito...
Todas as alegrias de ave vêm da mesma garganta,
Todos os estremecimentos de folhas são da mesma árvore,
E todos os que se levantam cedo para ir trabalhar
Vão da mesma casa para a mesma fábrica por o mesmo caminho...

(…)

Ah, não estar parado nem a andar,
Não estar deitado nem de pé,
Nem acordado nem a dormir,
Nem aqui nem noutro ponto qualquer,
Resolver a equação desta inquietação prolixa,
Saber onde estar para poder estar em toda a parte,
Saber onde deitar-me para estar passeando por todas as ruas ...

(…)

Dói-me a imaginação não sei como, mas é ela que dói,
Declina dentro de mim o sol no alto do céu.
Começa a tender a entardecer no azul e nos meus nervos.
Vamos ó cavalgada, quem mais me consegues tornar?
Eu que, veloz, voraz, comilão da energia abstrata,
Queria comer, beber, esfolar e arranhar o mundo,
Eu, que só me contentaria com calcar o universo aos pés,
Calcar, calcar, calcar até não sentir.
Eu, sinto que ficou fora do que imaginei tudo o que quis,
Que embora eu quisesse tudo, tudo me faltou.


:: por CAMILLA POUZA SALGADO :: 10:10 PM ::
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Quarta-feira, Agosto 22, 2007

E bem no dia que até olhar doía, ela resolveu sumir de vista. Mal sabia ela que já não era mais aquele brilho que completava meu olhar. Que prendia atenção no fundo do azul e trazia conduzida pela mão, a paz, a alegria, a esperança por dias melhores. Então não fora ela quem me deixara, o cordão que dignifica a vida já havia partido e se não é ele o que será dos momentos espontâneos que ao invés de colorir, desfragmentam os minutos e passam a ser anos futuros de lembrança não pura, mas ardente em paixão, amor e perdição.

E já era hora de dizer Adeus, e foi você não fui eu quem ficou com a responsabilidade de interromper vidas, o qual o racional e espiritual dizia ser melhor. E o coração? Bem, ele ja se acostumou a esquecer. Ele já entendeu que fazer o bem ao corpo é estar em sintonia com o todo e não mais sair por aí correndo contra a corrente, abrindo caminho pela mata, pra sempre ouvir gozação do racional no final: viu, eu te falei. É sempre o mesmo final.
E ele não espera nem desespera, segue batendo, acelerando, apertando o passo. Lembra aquela velha historia do caveleiro que se gabava por ter o mais lindo coração, sem machucados, e então vem um coração de um velho, todo machucado e há a prova de que este coração que era o mais bonito, pois sabia dividir o Amor, aprendera a amar. E como amara.. e tanto que fala (fala e fala).
Meu coração que antes aprendeu a duros e inesquecíveis golpes que amar era salvar vidas, era usar para algo tanto sentimento, para o melhor, para amadurecer, crescer, ser feliz, saudável, não era apenas um passeio de mãos dadas, uma explosão de risos e chuva de pipoca, era sim lágrimas, confiança, segura forte minha mão, quis então amar o outro como lhe foi mostrado que seria um amor eterno. E desde então só há a prova de que tal amor só foi possivel aqueles anos que se passaram, e passaram... Ainda não houve tal pessoa com coragem o suficiente quanto aqueles dois a se entregar ao outro, a ponto de fazer história, levantar a bandeira da glória. E assim passam pessoas que pegam impulso na luz e partem para o nada... Me diz porque será, me diz porque será que a gente cruza o rio atrás de água e diz que não está nem aí? Finge que não está nem aí...
Talvez o tempo do sempre esteja se aproximando e então é melhor se apressar para fazer as malas doando tudo que há de sobras. E carregar apenas o essencial, o vital, o que fará leve e alegre a bagagem.
Temporada das Flores, é Primavera chega com as boas novas, as cores e as flores.
E o mesmo sorriso a vibrar do peito para a boca.
Os braços, e as bocas. Os olhos...


E sem saber eu escrevi... O que você me pede eu não posso fazer...
Vivendo até o ultimo segundo... até o ultimo segundo vivendo...



[Me diz porque será, me diz porque será, que a gente cruza o rio atrás de água e diz que não está nem aí]


:: por CAMILLA POUZA SALGADO :: 2:58 PM ::
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E bem no dia que até olhar doía, ela resolveu sumir de vista. Mal sabia ela que já não era mais aquele brilho que completava meu olhar. Que prendia atenção no fundo do azul e trazia conduzida pela mão, a paz, a alegria, a esperança por dias melhores. Então não fora ela quem me deixara, o cordão que dignifica a vida já havia partido e se não é ele o que será dos momentos espontâneos que ao invés de colorir, desfragmentam os minutos e passam a ser anos futuros de lembrança não pura, mas ardente em paixão, amor e perdição.

E já era hora de dizer Adeus, e foi você não fui eu quem ficou com a responsabilidade de interromper vidas, o qual o racional e espiritual dizia ser melhor. E o coração? Bem, ele ja se acostumou a esquecer. Ele já entendeu que fazer o bem ao corpo é estar em sintonia com o todo e não mais sair por aí correndo contra a corrente, abrindo caminho pela mata, pra sempre ouvir gozação do racional no final: viu, eu te falei. É sempre o mesmo final.
E ele não espera nem desespera, segue batendo, acelerando, apertando o passo. Lembra aquela velha historia do caveleiro que se gabava por ter o mais lindo coração, sem machucados, e então vem um coração de um velho, todo machucado e há a prova de que este coração que era o mais bonito, pois sabia dividir o Amor, aprendera a amar. E como amara.. e tanto que fala (fala e fala).
Talvez o tempo do sempre esteja se aproximando e então é melhor se apressar para fazer as malas doando tudo que há de sobras. E carregar apenas o essencial, o vital, o que fará leve e alegre a bagagem.
Temporada das Flores, é Primavera chega com as boas novas, as cores e as flores.
E o mesmo sorriso a vibrar do peito para a boca.
Os braços, e as bocas. Os olhos...



:: por CAMILLA POUZA SALGADO :: 2:47 PM ::
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